A série fotográfica Potsdamer Platz, 1997-1999, de Michael Wesely é hoje referência no panorama da fotografia contemporânea. A obra cria relações tensivas entre a fotografia e outros sistemas de representação, como o cinema, e gera um campo de instabilidade levantando questões que se antagonizam como: fixidez e cinetismo, movimento e estase. Alguns experimentos anteriores realizados por Wesely, como Lochkamera Portrait (1988); Madri (1991); Schule (1994) e American Landscape (1999–2000), são também analisados neste livro. Essas obras aqui reunidas traduzem um processo de construção de imagens fotográficas constituídas por uma linguagem processual. A configuração das diversas inscrições que se amalgamam em um único fotograma traz a ideia de se condensar vários instantes em um continuum fotográfico em uma imagem palimpsesto. Nesses ensaios o autor revela um tempo não mais encapsulado como instante, mas apresenta um transcorrer temporal que parece imbuído na tarefa de corroer os vestígio s da aparência. O adensamento dos traços inscritos por meio das camadas justapostas revela profundidade e se traduz em imagem espessura. Seu trabalho vincula-se às propostas vanguardistas do início do século XX e aos movimentos surgidos nos anos de 1 970, nos quais foram abolidas as narrativas que primavam por investigações restritas ao núcleo específico das linguagens. A paisagem urbana torna-se pano de fundo para a observação dos processos semióticos que ocorrem nesses textos visuais.