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Neste livro, a autora compara os dois mais importantes críticos do século XX no âmbito cultural alemão e brasileiro: Walter Benjamin e Antonio Candido. Uma característica comum a eles é sua aprendizagem da crítica com precursores exemplares: respectivamente os dois autores românticos Friedrich Schlegel e Novalis e, por outro lado, Sílvio Romero. Enquanto o eixo da crítica de Benjamin é a filosofia, como mostram a sua postura autorreflexiva e o conceito da obra de arte como medium-de-reflexão, o trabalho de Candido orienta-se pela sociologia, como o evidenciam a sua concepção de literatura como sistema e como parte do processo de formação do Brasil. Que tipo de métodos eles propõem para a leitura das obras literárias? Ambos concentram-se na análise e interpretação da construção formal dos textos, procurando revelar em que medida os procedimentos técnicos e aspectos internos ajudam a compreender a realidade externa à obra, isto é, os fatores da vida social, econômica, política e da história geral. Para cada um deles o estudo de autores clássicos como Baudelaire, Proust e Kafka, Machado de Assis, os modernistas de 1922 e Guimarães Rosa fornece referências para a prática da crítica militante, ou seja, para a avaliação da produção literária de seus contemporâneos. A prática do método comparativo, que é o eixo adotado pela Autora, nos ajuda também a pensar qual é a aprendizagem da crítica que nós, leitores atuais, podemos fazer a partir dos escritos daqueles dois mestres.